Vereadores Zequinha do São Bernardo (PSDB) e Pábio Mossoró (PSDB) assinam Parecer favorável a projeto de lei rejeitado pelos professores em assembléia e que é fruto de uma falsificação de documento, dentre outras impropriedades
Um absurdo: é o mínimo a dizer diante de recente decisão da Comissão de Constituição e Justiça – CCJ da Câmara Municipal de Valparaíso de Goiás. Trata-se do parecer favorável à tramitação do PL 189/2011, que se destina supostamente a fazer a revisão do plano de carreira e remuneração do magistério público municipal. Revisão essa que jamais foi feita no atual governo contando com três anos de atraso em relação ao prazo legal. Com isso, abriu-se a oportunidade de o Poder Legislativo local aprovar um projeto repleto de inconstitucionalidades e ilegalidades. Dentre as principais, destaca-se uma tabela salarial anexa ao projeto que já vem sendo utilizada e que é fruto de falsificação de documento público. Vamos explicar:
Como se sabe, a remuneração dos servidores públicos somente pode ser alterada por lei específica. Isso é o que determina a nossa Constituição (art. 37, X). Mas, ao que parece, a prefeita Lêda Borges, não deu importância a esse mandamento legal quando resolveu alterar, unilateralmente, isto é, à revelia do Poder Legislativo, a tabela salarial dos profissionais do magistério. E pior: fez isso na tentativa de provar, junto ao Ministério Público, que estaria cumprindo a lei federal que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do magistério, fazendo tábua rasa do papel dos poderes públicos na defesa da prevalência do interesse público, além de ferir, de maneira prepotente, o forte valor democrático do princípio constitucional da independência entre os poderes da República Federativa do Brasil. Por isso, frustrante para a categoria a decisão da CCJ. É importante então resgatar a história que resultou nesse ato do Poder Executivo, a nosso ver, ilegal.
Ao tomar posse em 2009 a atual prefeita, já estava em vigor a Lei Federal n.º 11.738/2008, que fixou o prazo de até 31 de dezembro de 2009 para que os municípios reformulassem os planos de carreira do magistério de modo a se adequar à nova lei. Não se movimentando a prefeita nesse sentido, o SINDSEPEM/VAL fez várias gestões junto ao Ministério Público solicitando as providência cabíveis àquela instituição no sentido de que a lei fosse respeitada. Oficialmente, até hoje, o valor do vencimento inicial da carreira do magistério em Valparaíso fixado em lei é baseado no valor do salário mínimo de 2008, isto é, R$830,00 para uma carga horária de 40 horas semanais. Extra-oficialmente, a coisa mudou. E foi aí que a falsificação aconteceu. Vejamos como isso ocorreu.
Em 2010, em resposta ao Ofício nº 187/2010, da 3ª Promotoria de Justiça de Valparaíso de Goiás, que requisitara informações quando ao cumprimento da lei do piso, a prefeita encaminhou àquela promotoria de justiça o Ofício nº 363/GAP , de 14 de junho de 2010. Anexa a esse expediente seguiu a tabela salarial do magistério como suposta prova de cumprimento da lei. Depois da avaliação técnico-jurídica do SINDSEPEM/VAL, percebeu-se que o documento não correspondia à tabela anexa à Lei nº 46/2008, que trazia em si o piso de R$ 830,00, e que o documento estava adulterado, uma vez que a prefeita não havia encaminhado à Câmara qualquer projeto de lei destinado a alterar ou a fixar novos valores remuneratórios da carreira. Não foi difícil perceber a manobra, conforme se pode notar a seguir.
A tabela salarial é composta por seis faixas salariais: nível médio, licenciatura curta (em extinção), graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Nossas análises mostraram que, na debela encaminhada ao Ministério Público, somente a faixa salarial correspondente ao nível médio teve os valores alterados para supostamente demonstrar o cumprimento da lei do piso, pois as demais faixas permaneceram com os mesmos valores variando apenas em função da data base. Ocorre que, no município, não chega a uma dezena o número de professores com nível médio. Assim, a lei do piso não teve nenhum impacto na remuneração do conjunto dos professores, orientadores e supervisores. Caso isso tivesse ocorrido, provocaria um aumento de 30,24% na remuneração desses educadores.
Ora, a conclusão a se chegar não é outra: o documento foi falsificado na faixa salarial do nível médio, pois sua alteração somente poderia ocorrer por lei. Se a moda pega, qualquer prefeito pode sentar em frente a um computador e, como bem quiser, modificar até seu próprio subsídio, quiçá dos servidores públicos.
E agora, a categoria, mesmo tendo encaminhado à Câmara Municipal uma Nota Técnica que demonstra claramente esse problema, além de muitas outras impropriedades, se vê frustrada com essa decisão da CCJ favorável à tramitação de um projeto tendente a dar a aparência de legalidade a um ato administrativo praticado em 2010 sem um imprescindível requisito necessário à sua legalidade, qual seja: a forma.
Deixamos claro aqui que essa é apenas uma, mas as impropriedades do projeto ameaçam a aposentaria especial de professores, privilegiam os desvios de função, fixam vencimentos por área de atuação contrariando a LDB e a Resolução nº 002 do Conselho Nacional de Educação, entre outras ilegalidades.
É por essas e outras que, enquanto os recursos repassados pelo FUNDEB são hoje 118% maiores que os repassados no último ano do FUNDEF para Valparaíso e, nesse período, o reajuste dos vencimentos do professores não chegou a 13% no período, perdendo de goleada para a inflação e levando a categoria a preocupante achatamento salarial.
Cópia do Parecer sobre o PL 189/2011, que chegou a nossas mãos, mostra que ele foi assinado pelos vereadores Zequinha do São Bernardo (PSDB), Presidente da CCJ, e Pábio Mossoró (PSDB), Relator, não constando nele a assinatura do vereador Plácido (PSD), Vice-Presidente.
Além de continuar na luta em defesa dos direitos dos nossos educadores, o SINDSEPEM/VAL está estudando as medidas judiciais cabíveis nesse caso.
Sindicato dos Servidores Públicos e Empresas Públicas Municipais de Valparaíso de Goiás – SINDSEPEM/VAL
Além de tudo isso os salários dos Professores de Valparaiso de Goiás não estão sengo pagos em dia.
Fonte: VALTV